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Arca d’Água

Um homem vive só com a mulher incapacitada num batelão. A mulher está reduzida a um estado vegetal, e é ele que a veste, que a deita, que a senta na cadeira no convés para apanhar sol. Uma noite decide acabar com o sofrimento de ambos e pega fogo ao batelão, que se converte na pira funerária do casal.

A acção decorre num ritmo lento, alternando entre o momento presente e flashbacks do homem, que o transportam a um tempo em que a felicidade parecia possível. Tudo decorre sem diálogos e no universo fechado do lago onde o batelão se encontra ancorado. No final, a morte surge como um elemento libertador, com o homem a desamarrar a embarcação para a sua viagem final em direcção ao nada.

A realização competente de André Gil Mata não chega para insuflar vida neste objecto inanimado, com a ausência de diálogos a acentuar a dimensão de natureza morta de que o filme se reveste. O fogo final surge como libertador não apenas para os personagens, mas também para o público, e não é sem uma sensação de alívio que vemos chegar o fim do filme.

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