Alasca

Um casal idoso vai sobrevivendo a degradação moral e física. A mulher sai para se prostituir; o marido fica em casa e contempla o suicídio enquanto come uma barra de chocolate Regina. Mas é Eugénia que termina a barra, quando o marido a vai buscar após mais uma noite na estrada.

Dizer que este filme de Miguel Seabra Lopes é aborrecido seria fazer-lhe um imenso favor. Na verdade, é uma seca inominável. Num filme de 21 minutos, os diálogos resumem-se a meia dúzia de palavras rosnadas, e a “acção” arrasta-se entre planos fixos e grandes planos de aspiração fotográfica.

A atmosfera criada é do mais deprimente que poderia haver, a fazer os irmãos Dardenne parecerem palhaços de circo. Que dizer da visão de uma prostituta sexagenária a rebentar bolhas de plástico numa beira de estrada enquanto espera que chegue um cliente suficientemente miserável, ou perturbado, para a aceitar? Não seria descabido concluir que o objectivo deste filme é fazer disparar as vendas de Prozac nas farmácias.

Estou em crer que Alasca seria capaz de fazer murchar as flores numa sala, tal é a sensação de infelicidade que emana da tela. Apenas os mais destemidos optimistas deverão testar a sua resiliência com o visionamento deste filme, que bastaria por si só para explicar o fenómeno de Benjamin Button.

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